domingo, 16 de outubro de 2022

Magnólia

 

A magnólia cujo porte no verão atinge a altura da casa

e a folhagem é uma imensa nuvem densa e  verde

vê-se, à entrado do outono, violentamente agredida.

Serram-lhe os braços, deixam-lhe os ninhos a descoberto

expulsam-lhe da seiva os doces cantos matinais.

A mim deixa-me, a sua nudez, uma mágoa ardente nos olhos.

Sempre que passo por ela, sinto percorrer-me a pele

um queixume lento como uma culpa a revolver-se.

Todavia sei que, ainda antes das novas folhas 

ela encher-se-á de flores de seda em tons de rosa 

cada ano mais belos.

como a dizer: estou aqui. Não me esqueças.

 

Lídia Borges