A magnólia cujo porte no verão atinge a altura da casa
e a folhagem é uma imensa nuvem densa e verde
vê-se, à entrado do outono, violentamente agredida.
Serram-lhe os braços, deixam-lhe os ninhos a descoberto
expulsam-lhe da seiva os doces cantos matinais.
A mim deixa-me, a sua nudez, uma mágoa ardente nos olhos.
Sempre que passo por ela, sinto percorrer-me a pele
um queixume lento como uma culpa a revolver-se.
Todavia sei que, ainda antes das novas folhas
ela encher-se-á de flores de seda em tons de rosa
cada ano mais belos.
como a dizer: estou aqui. Não me esqueças.
Lídia Borges
