quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Amorómetro

  Émile Friant (1863-1932), “Les Amoureux”.



A Ciência ainda não achou para o Amor  

instrumento que lhe meça a intensidade.

Não sei se será mentira ou verdade,

Ama-se ou não se ama – dizem,

numa lógica de tudo ou nada

e fica a questão arrumada.

 

Perante tal achado,

descubro hoje, espantado

que depois de tanto te amar

afinal não tanto te amei.

É que, para o “nada”, muito vi

e para o “tudo”, pouco foi o que achei.

 

Ser este ser comedido

põe-me, num certo sentido,

a par dos maiores amadores:

sempre apartados do mundo

não lograram amor profundo

e viveram, morrendo de amores.

 

Lídia Borges