sábado, 19 de novembro de 2022

Libélulas

 


Desligados de amarras, amor,

bebemos ao entardecer o aroma lilás

dos ventos.

Nenhum olhar detém a suspensão dos ninhos

e, inocentes,

julgamos nossas  todas as cores

invioláveis todos as paredes.

 

As libélulas planam sob chuva em torrente.

Debilíssimas asas! Planam.

A nós, dói-nos a lentidão dos braços

onde nuvens negras rasam

as searas, as vinhas, os pomares

tão cedo abandonados.

 

Lídia Borges