Desligados de amarras, amor,
bebemos ao entardecer o aroma lilás
dos ventos.
Nenhum olhar detém a suspensão dos ninhos
e, inocentes,
julgamos nossas todas as cores
e invioláveis todos as paredes.
As libélulas planam sob chuva em torrente.
Debilíssimas asas! Planam.
A nós, dói-nos a lentidão dos braços
onde nuvens negras rasam
as searas, as vinhas, os pomares
tão cedo abandonados.
Lídia Borges
