quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Sem Título

  

  Poema 77.


Encontramo-nos, frases soltas, 

sem nexo perante o nonsence do mundo.

Esboroamos palavras de um quotidiano mínimo

para alimentar alfabetos:

os líquenes do muro,

o duelo de fetos e heras que se estorvam,

a geometria do voo dos melros.


Num esfregar de olhos, o zimbro

enegreceu os troncos dos limoeiros,

enverdeceu o lajedo,

esvaziou os catos, afeou o pátio

e contristou o pardal solitário

que debicava a ferrugem da folhas.


Lídia Borges (2021:p.106), Que farei com este azul que me beija