Poema 77.
Encontramo-nos, frases soltas,
sem nexo perante o nonsence do mundo.
Esboroamos palavras de um quotidiano mínimo
para alimentar alfabetos:
os líquenes do muro,
o duelo de fetos e heras que se estorvam,
a geometria do voo dos melros.
Num esfregar de olhos, o zimbro
enegreceu os troncos dos limoeiros,
enverdeceu o lajedo,
esvaziou os catos, afeou o pátio
e contristou o pardal solitário
que debicava a ferrugem da folhas.
Lídia Borges (2021:p.106), Que farei com este azul que me beija
