Todas as palavras de dentro e de fora de mim
permanecem na fria lonjura do teu rosto,
enquanto tua voz húmida desce aos musgos
como se, quanto de ti me ficasse, terra somente.
Criaste utopias, rasgaste redes e rédeas
desabitaste os poemas dos poetas tristes
fertilizaste os solos
por onde passavam minhas raízes mais fundas.
Guardo agora um sol posto, em cada mão e sou só
invisível embarcação,
solidão de azuis infinitamente navegados.
No silêncio me amparo para indagar o norte:
a seda de uma camélia vem tomar-me o olhar,
acalento de nuvem subindo ao coração.
Assim me amparo, indagando o longe,
o lento retorno da fome e da sede
para a lavoura dos dias.
Lídia Borges
(imagem: pesquisa s/ ind. autoria)
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