Não há dia em que, a esta hora,
a tangível melancolia de um pássaro
não venha atravessar o lusco-fusco
defronte da minha janela.
Quando o escuto, assim pesaroso e denso,
e vejo, com todos os sentidos,
como a sua pequenez enche a noite enorme, penso.
E pensando duvido se quero ainda
casar com Caeiro.
Lídia Borges
