(pintura: Silvia Brum)
Já um
dia, transplantei para o poema
o diospireiro da minha
rua.
Tem, por esta época o
aspeto
de tudo o que é belo.
Sobrevém
o despojamento dos
braços
a poesia dos frutos,
redondos e chamejantes
assim expostos à luz
ténue
de um sol que
envelhece.
Falei do diospireiro…
mas hoje a minha
atenção
passou através de seus
ramos sem folhas
e foi demorar-se na
senhora de idade
por dentro dos vidros,
na casa atrás da
exótica árvore.
Daqui de longe, de
onde a observo,
pareceu-me há pouco que sorria. Sim, sorria,
tenho a certeza de que
sorria…
[…]
Lídia Borges
(reeditado)
