sábado, 17 de dezembro de 2022

Diospireiro


 (pintura: Silvia Brum)


Já um dia, transplantei para o poema

o diospireiro da minha rua.

Tem, por esta época o aspeto

de tudo o que é belo. Sobrevém

o despojamento dos braços 

a poesia dos frutos,

 

redondos e chamejantes

assim expostos à luz ténue

de um sol que envelhece.

Falei do diospireiro…

mas hoje a minha atenção

passou através de seus ramos sem folhas

 

e foi demorar-se na senhora de idade

por dentro dos vidros,

na casa atrás da exótica árvore.

Daqui de longe, de onde a observo,

pareceu-me há pouco que sorria. Sim, sorria,

tenho a certeza de que sorria…

 

[…]

 

Lídia Borges

(reeditado)