Tudo o que do aconchego
se possa evocar
é passado ou
futuro ou desejo:
uma lareira
acesa, um sorriso partilhado,
a íntima cumplicidade
de palavras nuas,
um chá fervente,
um livro, uma música
uma camisola de
lã…
Tudo o que do
aconchego se possa evocar
vem dos olhos
dos românticos,
dos que sobreviveram
ao temível eclipse solar
no coração dos homens.
Permaneço no passado, no futuro, no desejo,
com estes meus olhos de ver maravilhas,
sem medo de
cegar.
Não importa se me mentem,
se me negam, se me enganam...
Na seio da sua mentira, fará ninho
a ave branca da
minha verdade.
Lídia Borges (13/12/2022)
