sábado, 10 de dezembro de 2022

Perdas

 



Dou-a por perdida,

viro-lhe as costas e reparo

incrédula

que,  como um animal doméstico,

a poesia me persegue

à espera que eu diga

o que já não pode ser dito

– a harmonia

entre o verso e o mundo.

 

A  poesia que eu melhor sabia 

morreu-me.

Da outra, só a banalidade me cerca.

 


Lídia Borges