sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

RIO


 

Quebradiço, o timbre do violino
feito de água e vidro,
rio de comovida serenidade.
Ninguém diria que há um poema
entre o coração e o pensamento
a aguardar construção.
Para começar, tirem-me daqui
este barro amassado em sangue,
esta argamassa grossa e áspera,
esta febre indomável do mundo
ao contrário.
Quero um poema como uma casa aquecida
uma canção de embalar, o cheiro a café
a terra húmida, um balido do vento, lá fora,
a música por dentro do teu olhar
feito de água e vidro.
Serenidade comovida, rio.


Lídia Borges