Searas de Versos
sábado, 31 de dezembro de 2022
Sem tempo para o Tempo
Lê-me – disse ele,
o Ano,
em jeito de último desejo.
Não
me leves a mal
hei de ler-te noutro dia,
ortografia
de um já velho jornal.
Outro dia,
quiçá amanhã.
Uma chuva de sorrisos
veio, sem aviso,
tomar-me toda a manhã.
À tarde, era tarde.
E a noite
arde.
Lídia Borges
(imagem:Vladimir Kush)
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