Falo com todas as palavras
que consigo recolher no mais fundo de mim.
Mas, se deixo perdidos os olhos em ti,
de imediato, meus alfabetos tropeçam de comoção.
Quem roubou a alegria desse rosto claro
e matou o azul-criança que nos teus olhos
corria sereno?
Como entrarei agora nesse jardim, em ruínas?
Que imagens de morte guardas no teu silêncio?
Fala. Numa língua qualquer. Eu saberei compreender.
Diz-me que palavras novas terei de inventar
para te contar outra vez A Lenda das Andorinhas
que trazes do teu país.
Deixa que continue a nomear-te - Menina.
Lídia Borges (01/03/2023)
