Disseste: estou bem
mas não em todas as horas.
Há sempre umas quantas
em que sou forçado a hospedar
o pânico de estar aqui.
Levanta-se para te amparar
o outro de ti.
Engana-te e tu sabes, porém, aceitas,
deixas-te levar, não te debates.
Vês como decanta na tua garganta
o gelo da angústia, lentamente.
Nada deterá a hélice mortífera da ceifa
na correnteza que atravessa
os terrenos, em redor da casa,
habitados pelas tuas pessoas.
O terror do esvaziamento
mais dilacerante que a morte própria.
Levanta-se e cuida de ti.
Mesmo quando acende uma vela
na tua escuridão, engana-te.
Cuida de ti!
Lídia Borges
