Removo o coração
como quem desliga o portátil
e pouso-o à cabeceira,
quando um sono de
luminescências
se abeira da minha porta.
Ouço bater
com os nós dos dedos,
suavemente, primeiro
mais forte, depois… mais
forte.
Ardem-me os nós dos
dedos
mas não tenho à mão o
coração
para que me seja palpável a tua dor na distância.
Está desligado, sem energia
nem bateria, o coração
e, livre dele, nada em
teu passar
me magoa ou seduz.
Quando acordo ligo-o e logo
me lembro de ti
um corpo sem coração, que vive
e me pede água.
Lídia Borges
