As palavras não aceitam fotografar
a cadeira de vime
[agora sem as almofadas floridas]
que era tua.
As palavras preferem
dizer-te a presença
sob as vibrações aéreas de uma
luz
crescendo fervorosamente acima do
real.
Cirandam já passos pelos
pátios de verão.
As rolas rebrilham nos
olhos do gato,
pequeníssimas,
a buganvília estremece contra o muro.
Um golpe de ar fresco
agita as cortinas na
varanda do poema
e eu preparo o nosso chá frio preferido.
Temos tempo, tanto tempo!
Lídia Borges
