O ruído perceptível das
folhas
a rasgar os ramos do
rododendro
tensos, enredados em febre
e vento,
os teus olhos rajados de
silêncio,
resíduos cromáticos de
luz
errantes, por aqui e por ali.
O meu jeito de ser
memória e êxtase
no tumulto da sede
de vozes desaparecidas.
E este azul-cinza, hoje,
tão desigual a outros,
no momento em que arrumo
cuidadosamente
ecos, lumes, alucinações
e flores
sobre jazigos silentes
ao sol vacilante de março.
Lídia Borges
(pintura: Sally Rosenbaum)
