Surrealismo, (s/ ind. autoria)
O poema navega.
A água própria para rãs, juncos e lírios,
Leva-me o poema,
jangada, chão movediço
entre mim e a água. Toda a água.
Como se não pudesse eu
comungar da Natureza
como rãs, lírios e juncos.
O poema leva-me
atravessa a água dos sentidos
condena-me às metáforas de sempre
mantém-me no limbo
expulsa-me da minha forma latente
de rã, lírio, junco,
mas não confirma a minha realidade.
Rouba-me à água.
Deixa-me suspensa nesta secura branca
de tinta e papel.
Leva-me,
Começa a doer insuportavelmente
a minha presença
deste lado das palavras.
Lídia Borges
