Semeador no Pôr-do-Sol (1888),
Vincent van Gogh
Hoje estou inteiramente
aqui.
Nenhuma metáfora poderá coincidir
Com as sílabas do olhar
A antepor-se à escrita.
Chove e a chuva repisa
sem dó
O solo já encharcado.
Gostava que passasse
alguém no caminho
Junto da minha janela de outrora.
Um camponês, a enxada às
costas
No regresso a casa, ao
fim da tarde
Como se atravessasse paulatinamente
um poema de Fiama.
O dia primeiro das novas
sementeiras
escoando-se devagar para a noite.
Tudo assim certo, antiquíssimo, sereno.
Lídia Borges
