segunda-feira, 3 de abril de 2023

Vestígios

 


São leves como pólen

por vezes penumbra

onde se movem, sem ruído.

 

Andam por aí, fugidias.

Quando passam por mim

puxam-me uns fios do cabelo,

tocam-me, esquivas, 

sussurram-me aos ouvidos

melodias singulares,

fragmentos de versos.

 

Se me volto, 

na senda do perfume violeta

que deixam no ar, esvaziam-se,

silhuetas que se esfumam.


Sopro-as por cima do ombro.

Não me importo, deixo-as brincar.

São vestígios de palavras, entidades tímidas 

(não borboletas ainda)

a quererem ser poema. 

 

Lídia Borges

(imagem: Pinterest)