Voltar, atravessar
a faixa luminosa de luz
que rompe pela porta
entreaberta de um poema
estreito de Bernardo
Pinto de Almeida
e penetrar na amplitude verde de
abril a invadir os olhos:
as roseiras encheram-se de
botões perfeitos, em espera,
algumas tulipas perderam
as pétalas, outras, laboriosas, acharam-nas,
as azáleas cor de sangue gesticulam nos vasos da entrada, as pereiras
expõem a extrema
delicadeza das flores em ramalhete,
os galhos da magnólia são agora mãos abertas aos ninhos.
Dou os ouvidos às
notícias do mundo sempiternas como se não soubesse...
raízes, ramos, folhas, flores,
imutáveis. De novo apenas a queda súbita
de uma ou outra estrela da galáxia mais venerada.
As estrelas de(cadentes)
não servem para Poesia.
É aqui que deponho a caneta. Entrego os sentidos aos trinados, lá fora,
largos. O poema sumiu-se rapidamente entre as brumas da palavra.
Lídia Borges
