quinta-feira, 28 de setembro de 2023

E todavia…

 


Um canto límpido

como que nos chama.

Melodioso e persistente eleva-se

acima dos sons quotidianos

e eu, que me queria surda

para as veleidades da alma,

fico de súbito em estado 

de puro encantamento.


Entre as folhas que restam na macieira

procuro o autor da serenata.

 

Lá está ele.

Custa a crer que o cristalino canto   

possa vir de tão miniatural corpo 

com peito rubro e voz de tenor.


Lídia Borges (reescrito)