Não digas estio com letras escuras
que se eleva a noite na fímbria do sol.
Não louves as orquídeas.
Tu tens nas mãos o pólen
de mil outras corolas destroçadas.
Não digas água se da sede sabes somente
a sombra de um magro cipreste
deitado no silêncio de uma lápide.
Não digas
a chama brevíssima do círio,
a frase talhada no vento,
seus fios entrelaçados de silvos e sinos,
a renda dos líquenes
onde vozes plangentes
vão tecendo teus anoiteceres.
Lídia Borges
(Imagem: pesquisa Google S/ ind. autoria)
