Um cheiro a alecrim, efémero
um laço de seda desatado do tempo
um livro a que faltam páginas
um favo de mel apenas imaginado
o poema ansiado por assomar.
Ainda tens no ouvido gravado
o bater das portas
que ao passar foste fechando
com medo do frio que te ficasse
à desfilada nos ossos.
Não sabes que rumos, que sentidos,
que tempestades haverás de cruzar?
E daí? Algum dia saberás domar os ventos
que te calarão, num qualquer cais?
Por ora, repara neste cheiro a alecrim.
Intenso, imenso, eterno.
Que queres tu mais?.
Lídia Borges
