sábado, 4 de novembro de 2023

VIDA

 


Um cheiro a alecrim, efémero

um laço de seda desatado do tempo

um livro a que faltam páginas

um favo de mel apenas imaginado

o poema ansiado por assomar.

 

Ainda tens no ouvido gravado

o bater das portas 

que ao passar foste fechando

com medo do frio que te ficasse

à desfilada nos ossos.

 

Não sabes que rumos, que sentidos, 

que tempestades haverás de cruzar?

E daí? Algum dia saberás domar os ventos

que te calarão, num qualquer cais?

 

Por ora, repara neste cheiro a alecrim.

Intenso, imenso, eterno.

Que queres tu mais?.


Lídia Borges