Entre um amigo e outro,
um espaço de intensa luminosidade.
Chamemos-lhe Alegria,
palavra de céu sem nuvens,
de amplo e liso revoar.
A palavra Amigo possui
vértebras inquebráveis
nas esquinas do tempo,
possui velas e ritmos
de navegar os silêncios
que são nossos mares.
Se meu amigo é lamparina
serei azeite e pavio,
Se a ave, eu, ele, a asa, a rota,
se ele a rosa
eu, o perfume, o orvalho.
Um amigo não é o outro de mim
Não serei dele, o outro
E os dois, não um só coração,
dois corações de semelhanças múltiplas.
Um amigo é ele ou ela, sou eu.
No que diz, no que cala,
é a resposta mais certa,
à pergunta não formulada.
Lídia Borges
