segunda-feira, 30 de outubro de 2023

A Minha Rua

 


Pensando bem ou mesmo 

pensando mal, os versos

sempre serviram de morada

às coisas a que atribuí uma certa intimidade.

Coisas de que gosto, sei lá…

O vento de verão ou de outono,

o cheiro que ele traz do mar,

ou de um prado de primavera

Sei lá…

Uma magnólia de janeiro,

os plátanos do parque abertos

ao esconde-esconde das crianças…

 

Cada vez sei menos sobre essas coisas 

a que atribuí uma certa intimidade.

Só essas coisas de que gosto me cabem nos versos.

Só essas coisas de que gosto e me falham porque lhes falho.

 

Mas hoje, esta rua…

Sim, esta rua, cinzelada a chuva e vento

daria um bonito poema.

 

Lídia Borges (29/10/2023)