Pensando bem ou mesmo
pensando mal, os versos
sempre serviram de morada
às coisas a que atribuí uma certa intimidade.
Coisas de que gosto, sei lá…
O vento de verão ou de outono,
o cheiro que ele traz do mar,
ou de um prado de primavera
Sei lá…
Uma magnólia de janeiro,
os plátanos do parque abertos
ao esconde-esconde das crianças…
Cada vez sei menos sobre essas coisas
a que atribuí uma certa intimidade.
Só essas coisas de que gosto me cabem nos versos.
Só essas coisas de que gosto e me falham porque lhes falho.
Mas hoje, esta rua…
Sim, esta rua, cinzelada a chuva e vento
daria um bonito poema.
Lídia Borges (29/10/2023)
