Depois, como um
vendaval gélido
a Morte vem.
Arranca cada
página que rasuraste,
ao de leve, no livro da vida.
E tudo é branco como no dia em que nasceste.
Dissipam-se fragmentos, sombras,
dores, alfabetos inauditos.
Fontes ilegíveis
formam-se
acima de nossas
cabeças aturdidas.
De nada vale tentar alcançá-las,
beber da água
que nelas chora.
E a vida
interrompida? Era a tua, a nossa?
De quem era que
a não sabemos mais?
Ficaram as flores. Todas as flores.
E esta dor de não te ver.
Lídia Borges 31/12/2023
