sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

E tudo é branco como no dia em que nasceste

 


Depois, como um vendaval gélido

a Morte vem.

Arranca cada página que rasuraste,

ao de leve, no livro da vida. 

E tudo é branco como no dia em que nasceste.

Dissipam-se fragmentos, sombras,

dores, alfabetos inauditos.

Fontes ilegíveis formam-se

acima de nossas cabeças aturdidas.

De nada vale tentar alcançá-las,

beber da água que nelas chora.



E a vida interrompida? Era a tua, a nossa?

De quem era que a não sabemos mais?

Ficaram as flores. Todas as flores. 

E esta dor de não te ver.



 (A meu irmão)

Lídia Borges 31/12/2023