Ofereceram-me, há anos, esta Antologia – "Eugénio de Andrade" – que junta vinte poemas de Eugénio e vinte desenhos de Jorge Pinheiro. Veio a público em 2019, pelas Edições “Afrontamento”, coordenação de José da Cruz Santos e prefácio de João Miguel Fernandes Jorge. Neste, a dada altura, pode ler-se o seguinte: «Atrevi-me a perguntar-lhe (a Eugénio) quais eram os seus ‘fantasmas’. Respondeu-me assim: - são o pastor, a criança e a mulher de negro» (“relâmpago”, n.º 15, 10/2004).
É um livro que gosto de revisitar, de tempos a tempos. A “mulher de negro” atravessa estas páginas com intensidade e vasta simbologia. Palavras e imagens formam um todo quase perfeito. Não se trata de simples ilustrações. São, antes, palavras e desenhos que dialogam entre si, num silêncio carregado de emoções. São representações vivas da vida, da dor, da errância, da morte. Não me canso de certas obras, de obras certas.


