Predisposto a sofrer a inquietação imposta pelo poeta,
o leitor impacienta-se
com tanta pergunta sobre o
mundo.
A dado momento, é de respostas a sua sede incontida.
Abre um livro em estado de inexplicável perturbação.
É o milagre que busca, quando pega nas palavras
e as agita, cuidadosamente, esperando que delas
se desprenda uma verdade
qualquer,
uma qualquer verdade. Uma verdade.
Fechado o livro, todos os
apelos por saciar,
regressa a casa, à ausência nos recantos
onde se comprimem contra o
coração
mil caligrafias inexplicáveis.
Até ao pórtico de um livro outro,
à ogiva de outras palavras,
à abóbada onde germinam os milagres,
será este, sempre este o impossível mapa
das viagens inacabadas.
Lídia Borges
(imagem: Pinterest, s/ ind. autoria)
