Bem sei que as ilusões são ilusões. Mas quando não há mais
nada para nos encher a alma e ela
vazia é um cristal de angústia, porque não enchê-la de
ilusões?
Encomendei ao Deus do Espaço uma ilusão nova. Deve estar a
chegar.
Sinto rir ao longe. É ela que vem. Com certeza é ela.
Ninguém ri
à minha volta a não ser as ilusões.
Vou espreitar a sua chegada.
E se ela tem medo de mim e foge?
Não foge. Vou devagarinho…
Lá vem. Toda de azul!
E a sorrir!
Que grande que esta é! Vai dar para tanto tempo!...
Que é aquilo? Pára? Hesita?
Ah!... Não vem para aqui…
13/08/1938
Jorge de Sena, Obras completas Poesia 2.
