domingo, 24 de março de 2024

Margens



Na linha de água,

o espelho serve o poeta

que pretende narcisar-se,

aproximar a cegueira

à respiração dos peixes.

 

Em horas vagas aguam-se-lhe olhares

e, na outra margem, miragens minguam.

 

Foi alagamento de rio

ou seus olhos dobraram distâncias

para o inexplicável?

 

Lídia Borges

(pintura de minha autoria óleo sobre tela, 50X40cm)