Do canto da terra
sei o fruto, a polpa e a casca,
sei o refrão a entoar ternuras
na voz dos pássaros.
Do seu pranto
sei os homens,
as magras paisagens
de áridos futuros.
Alguns dizem – bastam-me as mãos
para fazer brotar fontes e rios,
outros porém,
de muitas sedes nascidos,
bebem até à derradeira gota
as fontes e os rios
e dizem – bastam-me as mãos
para fazer brotar desertos.
Da terra sei a secura
e a interdição da água
na véspera da lágrima.
Lídia Borges (2011) No Espanto das Mãos/
O Verbo.
