Muitas vezes julguei
não poder perdoar
os ultrajes sem
fim causados às gentes que somos,
um país como
casa abandonada e só,
um modo vil de
pisar, doutrinar, perseguir, injustiçar.
Inteligência
sem verso nem reverso
e poderes sem
limites a governar.
E diz o
inteligente que acabaram as canções.
Mas estas vieram
e ficaram
e nos campos, nas praças e avenidas
floresceu, primeiro a esperança
e depois os cravos
e, nos rostos, os sorrisos.
Nas asas de uma gaivota mil sonhos a voar.
Já não há canções p’ra calar.
Voltaram diferentes,
embora iguais?!
Mas não no medo,
na treva e no silêncio,
hoje, as
gentes desiguais.
E, então - Abril
Sempre.
Voltaram iguais, embora
evidentes de mais!
Lídia Borges
(Imagem: pesquisa s/ind. de autoria)
