terça-feira, 16 de abril de 2024

E agora… Abril



Muitas vezes julguei não poder perdoar

os ultrajes sem fim causados às gentes que somos,

um país como casa abandonada e só,

um modo vil de pisar, doutrinar, perseguir, injustiçar.

Inteligência sem verso nem reverso

e poderes sem limites a governar.

 

E diz o inteligente que acabaram as canções.

 

Mas estas vieram e ficaram

e nos campos, nas praças e avenidas 

floresceu,  primeiro a esperança

e depois os cravos e, nos rostos, os sorrisos.


Nas asas de uma gaivota mil sonhos a voar.

Já não há canções p’ra calar.

 

Voltaram diferentes, embora iguais?!

Mas não no medo, na treva e no silêncio,

hoje, as gentes desiguais.

 

E, então - Abril Sempre.

Voltaram iguais, embora 

evidentes de mais!


Lídia Borges

(Imagem: pesquisa s/ind. de autoria)