As palavras são
agora
árvores altíssimas,
tão altas que
seus frutos
existem apenas para além
da extensão dos braços.
A luz que delas irradia
é sombria, mansa e
misteriosa
como os dardos luminosos que caem
na floresta, ao sol pôr.
É, então, absorto
cada alfabeto e enigmática
cada voz que se
desnuda.
E tu não sabes onde,
a lenha
para acender o lume do poema
que percorre o
teu corpo
como um manto
de silêncios
carregado.
Faz frio e o
desalento
vai doendo na
vegetação rasteira
sob os teus pés indecisos.
Lídia Borges
(imagem: Pinterest, s/ ind. de autoria.)
