As
pedras que jogamos, ouvi-as caindo
claras como vidro, ao longo dos anos.
No vale, os desatinos do instante
voam ruidosamente
entre as copas das árvores, emudecem
no ar mais tênue que o agora, deslizam
como andorinhas entre os topos
das cordilheiras até chegarem
aos platôs mais elevados
ao lado da fronteira por toda a existência.
Lá, todos os nossos atos
despencam claros como vidro
no fundo de nada
além de nós mesmos.
(Tomas Tranströmer)
(traduzido
do sueco por Luciano Dutra)
