Apanhei-te a cantarolar baixinho,
tão baixinho
que só por sorte e extrema atenção
alcancei ouvir-te.
À margem das maleitas
das tuas muitas primaveras,
cantarolavas
baixinho, baixinho,
não fossem julgar-te
demasiado alegre,
como se temesses
que te achassem tonta
ao abrigo da norma
da prudência e do siso
que diz tristes, mudos e parados,
todos os velhos.
E tu, afinadíssima:
De
quem eu gosto
Nem
às paredes confesso
E
nem aposto
Que
não gosto de ninguém.
Canta, canta, canta mais alto
que já te não oiço, Mãe!
