O invejoso é um ser duvidoso
De manhã, Calimero triste
À tarde, trovão ruidoso.
Pirilampo vigilante, o invejoso
É uivo, grito, juízo, razão...
E nada que lhe venha do coração.
Nos demais, burrice e cesura
Em si, nada menos que perfeição
Mas o mundo não lhe concede mesura
Ninguém para lhe beijar a mão?!
Contudo, há no invejoso
Um certo quê de mestria:
A erudição em maldizer,
Ai, se isso fosse poesia...
É corrosivo o invejoso,
Desdenha do que quer ter.
O sol no jardim ao lado
brilha
só para o arrefecer.
Que injustiça!
Lídia Borges
