quarta-feira, 8 de maio de 2024

Quem?

 


Quem ocupa agora o lugar

que era só meu, dentro de mim?

Quem se aconchega agora 

no quarto onde dormias

assim tão despojada de ti?

 

Perscruto do lado de fora 

caminhos  de dentro.

Não sei bem se te procuro ou se te evito,

se te reconheço ou se te invento. 

Não sei bem se ainda és em mim quem sou.


O que vejo é água...

água sem fim e sem barcos,

silentes lugares meus  

que foram movimento, sonho e viagem. 

 

Na tua memória de mim, posso ser esquecimento, 

mas, quando no escuro, a solidão vem,

minha alma e tua ausência acendem-se.

Formam uma visibilidade única, 

capaz de penetrar o solo de qualquer enigma 

ou poema

 

Lídia Borges