Quem ocupa agora o lugar
que era só meu, dentro de mim?
Quem se aconchega agora
no quarto onde dormias
assim tão despojada de ti?
Perscruto do lado de fora
caminhos de dentro.
Não sei bem se te procuro ou se te evito,
se te reconheço ou se te invento.
Não sei bem se ainda és em mim quem sou.
O que vejo é água...
água sem fim e sem barcos,
silentes lugares meus
que foram movimento, sonho e viagem.
Na tua memória de mim, posso ser esquecimento,
mas, quando no escuro, a solidão vem,
minha alma e tua ausência acendem-se.
Formam uma visibilidade única,
capaz de penetrar o solo de qualquer enigma
ou poema.
Lídia Borges
