terça-feira, 7 de maio de 2024

E todavia…

 


Um canto límpido

como que nos chama,

melodioso e persistente eleva-se

acima dos sons quotidianos da hora.


E eu que me queria surda

para as veleidades da alma

fico de súbito em estado de enlevo.



Entre a folhagem nova da macieira

procuro o autor da serenata.

 

Lá está ele.

Custa a crer que o cristalino canto   

possa vir de um tão miniatural corpo 

com peito rubro e voz de tenor.


Lídia Borges (reeditado)

Imagem:Pinterest