Viro-lhe
as costas
e, incrédula reparo que,
como um animal de estimação,
a Poesia me persegue.
Espera ainda que eu diga o que não pode ser dito:
a harmonia entre o verso e a violência,
a água e o fogo num verso único,
o diálogo de um solo de piano
- Chopin ou Debussy -
e um grito de terror a rasgar a noite, algures.
Pode um verso ser violento?
Pode a violência de um verso ser Poesia?
A que eu melhor sabia,
ficou-me no bolso de um bibe da infância.
Ir pelo poema desvendar o mito.
Lídia Borges
(imagem: Pinterest)
