sábado, 25 de maio de 2024

Perdas

 


Viro-lhe as costas

e, incrédula reparo que,

como um animal de estimação,

a Poesia me persegue.

Espera ainda que eu diga o que não pode ser dito:


a harmonia entre o verso e a violência,

a água e o fogo num verso único,

o  diálogo de um solo de piano

- Chopin ou Debussy -

e um grito de terror a rasgar a noite, algures.

 

Pode um verso ser violento?

Pode a violência de um verso ser Poesia?


A que eu melhor sabia,

ficou-me no bolso de um bibe da infância.

Ir pelo poema desvendar o mito.



Lídia Borges

(imagem: Pinterest)