Não há dia em que a esta hora
a tangível melancolia de um pássaro
não venha atravessar o lusco-fusco
defronte da minha janela.
Vejo com todos os sentidos
como a sua pequenez enche por inteiro
a noite enorme,
Quando o sinto assim denso e pesaroso,
penso.
E pensando duvido se estarei ainda
enamorada de Caeiro
ali, feliz,
de olhos fechados
com o corpo todo deitado na realidade.
..
Lídia Borges
