Mudam-se os
tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser,
muda-se a confiança;
Todo o mundo é
composto de mudança,
Tomando sempre
novas qualidades.
Continuamente
vemos novidades,
Diferentes em
tudo da esperança;
Do mal ficam
as mágoas na lembrança,
E do bem, se
algum houve, as saudades.
O tempo cobre
o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E enfim
converte em choro o doce canto.
E, afora este
mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se
muda já como soía.
in
"RIMAS/Sonetos - Texto estabelecido e prefaciado por Álvaro J. da Costa Pimpão"