O Falso Espelho, 1928. René Magritte
Completamente
só,
embrenhada num extraordinário
silêncio
acontece dares
por ti num lugar sem lugar
nos teus mapas
interiores.
Ínfimo e fugaz
o instante,
mas ali estavas
tu,
inesperadamente,
defronte de ti
mesma.
Ainda mal a imagem
se revelava
a afirmar a consciência
de quem és
e, logo,
esvaecimento e dispersão.
Que pena!
De nada vale o malogrado
gesto de agarrar,
de querer trazer
ao real essa fugidia parte de ti.
Bem sei. Teme a
pronunciação da dor.
Todavia, encará-la,
ainda que de modo efémero,
é já uma feliz aproximação,
uma súbita possibilidade
de encontro.
Lídia Borges
