Gostava de ver passar alguém no caminho
junto àquela janela de ontem.
Um camponês, a enxada ao ombro
no regresso a casa, ao fim da tarde
como se,
paulatinamente,
atravessasse
um poema de Fiama.
Tudo assim certo, antiquíssimo, pacato,
como se fora esse o dia primeiro
das novas sementeiras.
hora a hora desde o nascer do dia
até ao sol posto.
Um camponês, a enxada ao ombro,
sobre a cristaleira da sala de jantar da avó.
Em fundo o sol morrendo entre ocres e verdes
Que é da tela onde se perdiam meus olhos de criança?
Lídia Borges
