Como um
chuvisco de nada
a tua voz derrama-se
no meu coração
sem ruído nem
cântico.
Presença somente,
Sei de ti debaixo de uma claridade rara,
sei de ti.
E inspiro e
expiro mais devagar
não vá a aragem querer desdizer
[como tantas vezes desdiz] a consistência
do instante.
Nenhuma palavra ousa a subida aos lábios.
De vidro frágil os alfabetos,
de candura e miosótis o silêncio
que os define.
Mãos
mendigas, as nossas, agarram-se
à insuportável ternura
dos dias
que descem rumo ao mar.
Paulatinamente.
Lídia Borges
(Pintura: Anne Packard)
