a cidade pulsa. Turbilhão de gente apressada.
A cidade abre-se na arquitetura das alamedas
prostradas ao sol. Luz excessiva, talvez.
De súbito,
uma ária chorosa à boca do trompete
espalha no ar o desalento
de sonhos mal nascidos.
Impassíveis os passos passam.
Traçam roteiros nos olhares
que mal se cruzam, que mal se tocam
em mapas de linhas pateticamente paralelas
onde se refugiam, solitárias, as notas musicais.
Depois, à noite,
debaixo dos candeeiros desabrigados das ruas
a cidade acende-se em falsos sossegos
e o chão converte-se num imenso tapete rolante.
Sob os pés dos poetas, construtores de utopias,
a cidade passa, passa, passa...
Lídia Borges (2013) "Sementes Daqui"
