Com os meus votos de um NATAL FELIZ a quantos passam por aqui.
28.
Saio para a rua,
cinzenta.
Todos os rostos me parecem iguais,
mármore de cantaria esculpido,
nula a legibilidade das expressões.
De súbito, sobe no ar a música da concertina
o riso de uma criança,
e o pequeno pai natal de pilhas
faz o pino em dois tempos: um, dois.
Dou por mim a rir com a gargalhada repentina da criança
debruçada sobre o acrobata.
As mãos apoiadas nos joelhos pequeninos
o tom maravilhado no olhar e no riso.
A ideia de Infância associo-a ao vento,
vai e vem, vem e vai, fluída
mas por vezes tropeça-se nela,
numa rua qualquer de dezembro,
a fazer o pino, vestida de pai natal,
um...dois.
Lídia Borges, in Garças (p.43)
