sábado, 21 de dezembro de 2024

Feliz Natal!

 


Com os meus votos de um NATAL FELIZ a quantos passam por aqui.


28.

Saio para a rua,
 cinzenta.
 Todos os rostos me parecem iguais,
 mármore de cantaria esculpido,
 nula a legibilidade das expressões.
 De súbito, sobe no ar a música da concertina
o riso de uma criança,
 
 e o pequeno pai natal de pilhas
 faz o pino em dois tempos: um, dois.
 Dou por mim a rir com a gargalhada repentina da criança
 debruçada sobre o acrobata.
 As mãos apoiadas nos joelhos pequeninos
 o tom maravilhado no olhar e no riso.
 
 A ideia de Infância associo-a ao vento,
 vai e vem, vem e vai, fluída
 mas por vezes tropeça-se nela,
 numa rua qualquer de dezembro,
 a fazer o pino, vestida de pai natal,
um...dois.

Lídia Borges, in Garças (p.43)