Deixa…
Entre o esquecimento
e a maré cheia do poema
tudo há de acontecer outra vez.
Um dia entras no bosque
como se nada mais
desejasses deste mundo;
abraças a infância guardada, à pressa,
no tronco carcomido do velho
carvalho.
E no teu esquecimento
faz-se luz e tu falas
e ris e pensas e tudo é rigor,
sol, matéria absoluta.
Todas as coisas antigas
giram em torno do seu tempo futuro.
Uma imagem pressentida do amor,
uma rosa, um verso louco, uma cítara
flutuam nesse espaço insondável
entre o esquecimento
e a maré cheia do poema.
Tão longe do inverno, estas vagas!
Coisas friáveis… Uma sede!
Lídia Borges (reeditado)
Imagem net s/ ind. autoria
.jpg)