domingo, 1 de dezembro de 2024

Infância

 


Deixa…

Entre o esquecimento

e a maré cheia do poema

tudo há de acontecer outra vez.

 

Um dia entras no bosque 

como se nada mais

desejasses deste mundo;

abraças a infância guardada, à pressa,

no tronco carcomido  do velho carvalho.

 

E no teu esquecimento

faz-se luz e tu falas 

e ris e pensas e tudo é rigor,

sol, matéria absoluta.

Todas as coisas antigas

giram em torno do seu tempo futuro.

 

Uma imagem pressentida do amor,

uma rosa, um verso louco, uma cítara

flutuam nesse espaço insondável

entre o esquecimento 

e a maré cheia do poema.

 

Tão longe do inverno, estas vagas!

Coisas friáveis… Uma sede! 

 

  Lídia Borges (reeditado)

   Imagem net s/ ind. autoria