Teu vulto ao fundo
em minha última tela, desapareceu,
porém o teu nome não deixou de ser
a cintura de luz caída no rio
onde pousa meu olhar, quando a tarde vem.
Que importa a tontura dos traços,
o tom alambre do ar,
a solidão que pende das estacas do cais?
Nem tudo se dilui na sombra da tarde
quando vens reparar em mim.
É verão outra vez nos teus olhos? Pode ser.
A mim sobram-me na paleta os tons cinza
do desapego.
Talvez queiras saber
que pigmentos misteriosos uso
para criar a claridade com que pinto os barcos
ao luar.
Ainda que a lua,
onde a lua? - Haverás
de perguntar.
Lídia Borges
