E quando acordamos vemos
que cresceram tudo, as idades.
Já não é alegórica a solidão que desce
obliquamente sobre o mar.
E nessa inclinação da luz
detém-se ainda enternecida
aqui e ali a contemplar
lugares de urze, de giesta e alecrim.
Vai depositando neles
a renda e o linho de um coração
despojado e nu a ocaso
como despojado e nu a nascente.
Novos os olhares [pacíficos ou não]
como estrelas cegas [pacíficas ou não]
adormecem [ou não].
Já cresceram tudo as idades.
Lídia Borges
(imagem: Pinterest)
