domingo, 30 de novembro de 2025

Domingo (VII)

 

I

O meu portátil avariou. Liga, pede código, cumprimenta: “Olá Olívia” e imediatamente, mesmo antes de eu poder responder, refugia-se atrás de uma tela escura e calada. Anda assim, há dias. Negro como nuvem negra. Ligo, desligo, pressiono todos os botões. Enfim, pode ser que algum tenha a capacidade oculta de o acordar. Hoje, antes de procurar onde o "internar"  resolvo estudar soluções, com a ajuda do Google. São tantas as “doenças” possíveis que sou obrigada a selecionar uma, de acordo com o meu diagnóstico. Diagnóstico de uma leiga, pois claro. Sigo as indicações: executo um “Power cicle” desconectando tudo, verifico o estado de suspensão, a bateria, o carregador. Nada. Nada.

Sei que está vivo porque o botão ligar/desligar mantém-se intermitente, acende/apaga, acende/apaga… um pisca-pisca que irrita, contínuo, humilhante. Quero desligá-lo, desliga-lo é a minha prioridade, usar o computador está fora do meu interesse imediato. Carrego no ligar/desligar 30 segundos, 60 segundos, 30s+60s, 60s+30s+30s+60s... Acende/apaga, acende/apaga, acende/apaga…Leio no telemóvel os comentários adidos às sugestões do Google. São inúmeros. Seleciono um, breve e claro: “Então e que tal o bom e velho CTRL+ALT+DEL?”

Só isso?! Milagre. Consertei um computador, pela primeira vez na vida.

II

Queria trazer aos meus leitores, aqui, na crónica de domingo, um parecer sobre um livro que me ofereceram e, logo de seguida, me pediram umas “palavrinhas” sobre. Queixava-me eu de não saber dizer “Não” a pessoas que estimo. É defeito que morrerá comigo. O referido livro, não sendo difícil de ler, versa sobre um assunto, um tempo, um espaço que me obrigaram a ler, a pesquisar, a comparar, a aprender. Entrelaça documentário e novela, História e histórias, realidade e ficção – Na sociedade de Loanda oitocentista. Enquanto leio, não resisto a entrar em diálogos, discordando muito mais que concordando, com o narrador, aqui e ali, com as personagens, chego a contrapor raciocínios, tenho tendência a interrogar alguns estereótipos, a lamentar a “leveza” dada ao humano, em temas como a escravatura, a relação de poder entre os povos nativos e os colonizadores, a misérias de uns, a abastança de outros. Enfim, não é o tipo de leitura que eu escolheria, neste momento da minha vida. Já tenho pouco tempo para ler e são muitos, muitos os livros que me convocam imperiosamente.

Lídia Borges